quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

sábado, 19 de janeiro de 2008

Indifference

domingo, 13 de janeiro de 2008

Aceitar. E deixar passar...

Estava só, num deserto. Avistei uma caravana aproximar-se, cruzando-se no meu caminho. Este era um comerciante, cheio de coisas vistosas, apeteciveis, excitando o meu lado consumista.
Claro que as primeiras coisas que me mostrou foram as melhores, dos seus segredos, aquelas com que a todos encanta. Contavam-se pelos dedos de uma mão, coisas encantadoras... Estava realmente cheio de bugigangas. Só que... nem todas aparentavam ser de tão má qualidade.
Cinco meses...precisou ele para me mostrar tudo o que tinha. Aos poucos, percebi que até as coisas encantadoras, só passavam pela aparência. Que nas minhas mãos oxidaram com o meu suor, quando as peguei para experimentar.
Perdi tanto tempo debaixo daquele Sol, desidratei de tanto suor, tanta sede, tanto tempo ali parada...E no fundo, ele sabia que nada me estava a vender. Que nada eu iria comprar. Com tanta coisa má, que bastava eu pedir para ver com as mãos e me aperceberia logo que nada valiam aquelas coisas todas...que nem se quer dinheiro eu possuia... não me ia vender nada.
Ele não me estava a vender nada... Então, comerciante? Quem é aquele homem? Um ladrão?? Mas...roubou-me o quê? Meu tempo...meu coração...minha cabeça...meu corpo...meus olhos...minha saúde...minha paciência...e ainda lhe comprei algumas peças que me mostrou no princípio, sem ainda lhes ter pegado, onde me endividei...
Ele não me queria vender nada... Porque fui tão enganada?
Comerciante...e não me vendeu nada.
Ao fim de 5 meses, sabendo ele que nada me iria vender, desistiu e começou a arrumar as coisas de volta na caravana. Com todo o cuidado, fiquei, e perdi mais esse tempo, sabendo que nada lhe iria comprar...ajudando-o a embrulhar aquelas misérias todas de volta, na caravana...
Como se nada tivesse passado, ao fim desse tempo, ficamos os dois a olhar um para o outro. Questionando-nos, provavelmente, o que estavamos os dois a fazer durante tanto tempo, fingindo ele que me iria vender e eu que me iria empenhar para comprar aquilo tudo.
É difícil, ainda assim, dizer "Adeus"...percebi.
Alguém tinha de dar o primeiro passo e regressar ao seu caminho. Aos seus olhos, disseram os meus "Aceito".
E deixei-o passar...

sábado, 12 de janeiro de 2008

"...irei falar-vos em Sensações ..."

Os desgostos da vida ensinam A Arte do Silêncio

Ode à incompreensão

"Não por mim. Por tudo o que, para ecoar-se,
não encontrou eco. Por tudo o que,
para ecoar, ficou silencioso, imóvel -
- isso me dói como se ausência a música
não tocada, não ouvida, o ritmo suspenso,
eminente, destinado, isso me dói
dolorosamente, amargamente, na distância
do saber tão claro, da visão tão lúcida,
que para longe afasta o compassado ardor
das vibrações do sangue pelos corpos próximos.
Tão longe, meu amor, te quis da minha imperfeição,
da minha crueldade, desta miséria de ser por intervalos
a imensa altura para que me arrebatas
- meu palpitar de imagem à beira da alegria,
meu reflexo nas águas tranquilas da liberdade imaginada-,
tão longe, que já não meus erros regressassem
como verdade envenenando o dia a dia alheio.
Tão longe, meu amor, tão longe, quem de tão longe alguma vez regressa?!
E quem, ó minha imagem, foi contigo?
(De mim a ti, a mim, quem de tão longe alguma vez regressa?)"

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A Instabilidade e Imprevisibilidade do Nosso Comportamento

Não deveis estranhar se hoje vedes poltrão aquele que ontem vistes tão intrépido: ou a cólera, ou a necessidade, ou a companhia, ou o vinho, ou o som de uma trombeta, tinham-lhe incutido coragem. Não se trata de uma coragem que a razão haja modelado; foram as circunstâncias que lhe deram consistência; não espanta, pois, que circunstâncias contrárias a tenham transformado. Esta tão flexível variação e estas contradições que em nós se vêem, fizeram com que alguns imaginassem termos duas almas, e que outros supusessem que dois poderes nos acompanham e agitam, cada qual à sua maneira, um tendendo para o bem, o outro para o mal, já que tão brutal diversidade não poderia atribuir-se a uma só entidade. Não somente o vento dos acidentes me agita consoante a direcção para que sopra, mas, ademais, eu agito-me e perturbo-me a mim próprio pela instabilidade da minha postura; e quem, antes do mais, se observar, nunca se achará duas vezes no mesmo estado. Confiro à minha alma ora um rosto ora outro, conforme o lado sobre que a pousar. Se falo de mim de diferentes maneiras é porque de maneiras diferentes me observo. Toda a sorte de contradições se podem encontrar em mim sob algum ponto de vista e sob alguma forma. Envergonhado, insolente; casto, luxurioso; tagarela, taciturno; duro, delicado; inteligente, estúpido; irascível, bonacheirão; mentiroso, veraz; douto, ignorante; generoso, avaro e pródigo: tudo isto vejo em mim de algum modo, conforme para onde me viro. Quem quer que se estude a si próprio muito atentamente, encontra em si, e até no seu mesmo juízo, igual volubilidade, igual discordância. Não há nada que eu possa dizer de mim numa só palavra de modo absoluto, único ou inabalável, sem incluir mesclas ou misturas.
Michel de Montaigne, in 'Ensaios - Da Inconstância das Nossas Acções'

Apenas nas Crises Atingimos as Nossas Profundezas

Tudo o que o nosso corpo faz, excepto o exercício dos sentidos, escapa à nossa percepção. Não damos conta das funções mais vitais (circulação, digestão, etc.). O mesmo se passa com o espírito: ignoramos todos os seus movimentos e transformações, as suas crises, etc., que não sejam a superficial ideação esquematizante. Só uma doença nos revela as profundezas funcionais do nosso corpo. Do mesmo modo, pressentimos as do espírito quando estamos em crise.
Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'

Anomalias

Como ainda é inexperiente quem supõe que, ao mostrar espírito e entendimento, recorre a um meio seguro para fazer-se benquisto em sociedade! Na verdade, na maioria das pessoas, tais qualidades despertam ódio e rancor, que serão tão mais amargos quanto quem os sentir não tiver o direito de externar o motivo, chegando até a dissimulá-lo para si mesmo. Isso acontece da seguinte forma: se alguém nota e sente uma grande superioridade intelectual naquele com quem fala, então conclui tacitamente e sem consciência clara que este, em igual medida, notará e sentirá a sua inferioridade e a sua limitação. Essa conclusão desperta o ódio, o rancor e a raiva mais amarga. (...) Mostrar espírito e entendimento é uma maneira indirecta de repreender nos outros a sua incapacidade e estupidez. Ademais, o indivíduo comum revolta-se ao avistar o seu oposto, sendo a inveja o seu instigador secreto. A satisfação da vaidade é, como se pode ver diariamente, um prazer que as pessoas colocam acima de qualquer outro, mas que só é possível por intermédio da comparação delas próprias com os demais. No entanto, nenhum mérito torna o homem mais orgulhoso do que o intelectual: só neste repousa a sua superioridade em relação aos animais. Exibir superioridade decisiva nesse domínio, e ainda por cima diante de testemunhas é, portanto, a maior ousadia. O opositor sente-se desafiado por tal conduta a praticar vingança e, na maioria das vezes, procurará uma oportunidade para a exercer pela ofensa, passando então do domínio da inteligência para o da vontade, no qual somos todos iguais. Enquanto a posição social e a riqueza podem contar sempre com a alta consideração na sociedade, os méritos intelectuais nunca devem esperar por ela. Nos casos mais favoráveis, serão ignorados; senão, serão vistos como uma espécie de impertinência ou como um bem, que o seu possuidor adquiriu ilicitamente e ainda se atreve a jactar-se. Eis porque cada um se propõe, em segredo, a humilhá-lo de outra forma, esperando apenas a oportunidade mais propícia para o fazer. Mesmo o comportamento mais humilde terá muita dificuldade em conseguir o perdão para a sua superioridade intelectual.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ninguém Permanece Satisfeito Com o Que Tem

Ninguém permanece satisfeito com o que tem, olhando para o que é dos outros; é por isso que nos iramos até contra os deuses quando alguém nos ultrapassa, esquecidos dos homens que ficam para trás; e, quando há poucos homens para invejar, aqueles que seguem atrás de nós são invejosos terríveis. Mas o homem é tão mesquinho que, mesmo tendo recebido muito, considera-se injuriado se pudesse ter recebido mais. (...) Sobretudo, agradece aquilo que recebeste; aguarda pelo restante e alegra-te por não estares ainda satisfeito: é um prazer haver algo por que esperar. Venceste todos os homens: alegra-te por seres o primeiro no coração do teu amigo; foste vencido por muitos: considera quantos homens estão atrás de ti, mais do que quantos estão à tua frente. Queres saber qual é o teu maior vício? Fazes mal as contas: valorizas demasiado o que te oferecem, mas desvalorizas o que tens.
Séneca, in 'Da Ira'

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A Solidão não Constitui Alimento, apenas Jejum

Se não temos aptidão para fazer amigos, remodelemo-nos até consegui-la. A solidão só vale como remédio, como jejum - não constitui alimento; o carácter, como Goethe o viu com tanta clareza, só se forma no tumulto da vida. Se nos tornamos excessivamente introspectivos, estamos na senda da perdição, ainda que o nosso negócio seja a psicologia; olhar com persistência excessiva para dentro de nós mesmos é provocar o desastre do jogador de ténis que conscientemente mede a distância, os ângulos e a força dos golpes, ou como o pianista que pensa nos dedos. Os amigos são necessários, não só porque nos ouvem, como porque se riem para nós; através dos amigos conseguimos um pouco de objectividade, um pouco de modéstia, um pouco de cortesia; com eles também aprendemos as regras da vida, tornando-nos melhores jogadores dos jogos que a compõem. Se queres ser amado, sê modesto; se queres ser admirado, sê orgulhoso; se queres as duas coisas, usa externamente a modéstia e internamente o orgulho. Mas o próprio orgulho pode ser modesto, raramente se deixando ver, e nunca se deixando ouvir.

Não revelar muita agudeza: os epigramas tornam-se odiosos quando farpeiam fundo a carne; e adoptar como lema o De vivis nil nisi bonum. Nunca provar que um homem está errado; ele não o perdoará nunca. O «nada fazer» é uma das coisas mais preciosas do mundo; frequentemente vale muito o nada fazer, e é sempre uma boa coisa o nada dizer. Ninguém deve mostrar-se ansioso de proclamar a verdade. Aceitando as convenções que a sociedade estabelece, gozamos um pouco de liberdade dentro das suas leis; isso nos permitirá tudo, se o fizermos com elegância e não o andarmos a proclamar.
Will Durant, in 'Filosofia da Vida'

sábado, 30 de junho de 2007

sexta-feira, 29 de junho de 2007

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Oportunidade

"No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade"
Albert Einstein

domingo, 24 de junho de 2007

Tão só e 'complexamente'

As observações e as vivências do solitário que só fala consigo próprio são simultaneamente mais indistintas e intensas do que as do homem social e os seus pensamentos são mais graves, mais fantasiosos e nunca sem uma coloração de melancolia. Imagens e impressões que outros poriam naturalmente de lado após um olhar, um sorriso, um comentário, ocupam-no mais do que é devido, tornam-se profundas no silêncio, ganham significado, transformam-se em acontecimento, aventura, emoção. A solidão cria o original, o belo ousado e estranho cria a poesia. Mas cria também o distorcido, o desproporcionado, o absurdo e o proibido.
Thomas Mann, in "Morte em Veneza"

sábado, 23 de junho de 2007

Sobre: serenidade

A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte. O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade.
Hermann Hesse, in 'O Jogo das Contas de Vidro'

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Residência de Didgeridoo 2007

Pelo 2º ano consecutivo, a Residência está de volta com o mesmo espirito e qualidade! Assim, mais uma vez, a aldeia de Campo Benfeito (Viseu) abre as portas ao didgeridoo. A Residêcia de Didgeridoo tem como objectivo proporcionar aos participantes uma aprendizagem intensiva sobre este instrumento, com contacto humano e cultural, num local privilegiado pela Natureza.

Dias 27, 28 e 29 de Julho.

http://www.e-fatt.com/

Jono Callow Didgeridoo and Drum Demo

domingo, 17 de junho de 2007

Once upon a time...

... there was a nice little child called: Corey Taylor .
(Corey Version I :)
Slipknot - The Blister Exists!
(Corey...Version II)
Stone Sour - through glass (or whatever...are you fuckin´ ready for this?!) ...

é...a Vida, Amor...

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!
Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!
A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...
Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!
Florbela Espanca

Um clarão

"Abriu os olhos, e viu que estava só. Uma paz, uma tranquilidade, uma saciedade que não estava nela, mas no ar que a rodeava, deslaçavam-lhe as derradeiras crispações do corpo contuso. Ainda, mas muito distantes, sentia dores dispersas, ou localizadas onde a violência fora maior. Mas o bem-estar era enorme e contraiu-lhe os lábios num sorriso. O grande segredo, agora sabia o grande segredo. E adormeceu."
Jorge de Sena

sábado, 16 de junho de 2007

Metallica

Wherever I may roam

Dream Theater em Portugal

Dia 20 deste mês, isto é, 4ª feira, teremos o prazer de receber em nostras territas um espectáculo virtuoso! Pois é, estão de volta os Dream Theater, no Coliseu do Porto. Pena não ser por Lisboa, mas... ir-se-á onde for preciso!

Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.
Luís de Camões